
Omayra Sánchez, uma jovem colombiana de 13 anos, tornou-se símbolo da tragédia de Armero, Tolima, após a erupção do vulcão Nevado del Ruiz em 1985. O desastre, que aconteceu após 69 anos de inatividade do vulcão, devastou a região e ceifou milhares de vidas.
Presa sob os escombros de sua casa, onde seu pai e sua tia perderam a vida, Omayra conseguiu emergir parcialmente, mantendo o rosto fora da água. Seus gritos de socorro atraíram a atenção de equipes de resgate, que lutaram para ajudá-la. No entanto, removê-la sem causar ferimentos fatais era impossível. Para aliviar seu cansaço, os bombeiros improvisaram um suporte com um pneu para que ela pudesse se apoiar.
Mergulhadores avaliaram sua situação e constataram que a única forma de resgatá-la envolveria uma cirurgia no local, algo inviável sem os equipamentos necessários. Diante disso, os socorristas permaneceram ao seu lado, oferecendo conforto enquanto esperavam um desfecho inevitável.
Mesmo diante da dor e do medo, Omayra demonstrou uma impressionante força emocional. Cantou, sorriu e brincou com German Barragán, um jornalista que acompanhava o caso. No entanto, conforme o tempo passava e sua condição piorava, a consciência de sua realidade a atingiu. Ela chorou, pediu perdão e rogou a Deus por misericórdia, enquanto sua mãe, distante, acompanhava tudo sem poder ajudá-la.
Após cerca de 60 horas de agonia, Omayra começou a apresentar sinais de infecção grave. Seus olhos avermelharam, suas mãos incharam e sua pele enrugou. Em seus momentos finais, alucinou, dizendo que estava atrasada para a escola e que precisava sair dali rapidamente. No dia 16 de novembro de 1985, às 9h45, ela se despediu com um sussurro de “adeus” antes de falecer devido a gangrena, hipotermia e colapso pulmonar.
A icônica fotografia de seus últimos momentos, capturada pelo fotógrafo francês Frank Fournier, correu o mundo, tornando-se um símbolo da tragédia e da negligência governamental na resposta ao desastre. A imagem, intitulada “A Agonia de Omayra Sánchez”, foi premiada e entrou para a lista das 100 fotos mais impactantes da história segundo a revista Time. Fournier descreveu sua profunda tristeza ao registrar a cena, mas também admirou a coragem e dignidade com que Omayra enfrentou a morte.