
O líder da oposição Venâncio Mondlane esteve nesta terça-feira na Procuradoria-Geral da República (PGR), onde foi interrogado sobre supostos crimes relacionados aos protestos pós-eleitorais que ocorreram desde outubro passado e resultaram em centenas de mortes.
Após cerca de nove horas de audição, Mondlane foi libertado, mas saiu com restrições impostas pelas autoridades. Entre as medidas estabelecidas, ele deve informar previamente qualquer mudança de residência e viagens ao exterior. Caso descumpra essas exigências, pode enfrentar medidas mais severas, incluindo a prisão preventiva.
Ao sair da PGR, Mondlane conversou com jornalistas e afirmou que não recebeu detalhes sobre as acusações contra ele. “Passamos o dia aqui, mas até agora não sei exatamente do que sou acusado. Apenas responderam com perguntas sobre protestos, incitação à violência e distúrbios econômicos”, declarou.
O político destacou que, a partir de agora, precisa comunicar sua localização às autoridades e que não poderá se ausentar de sua residência por mais de cinco dias sem aviso prévio. Ele também afirmou que não tem intenção de deixar o país, enfatizando sua determinação em continuar a luta ao lado de seus apoiadores.
Desde seu retorno a Moçambique em janeiro, após um período de exílio, Mondlane tem evitado permanecer em um único local por questões de segurança. Agora, com a exigência de informar seu endereço fixo, suas movimentações estarão sob maior vigilância estatal.
Nos arredores da PGR, um grupo de apoiadores se reuniu durante a audiência, demonstrando solidariedade ao líder oposicionista. A tentativa de dispersão feita pela polícia não resultou em confrontos.