
Maputo – O ex-candidato presidencial Venâncio Mondlane prestou depoimento nesta terça-feira na Procuradoria-Geral da República (PGR) em conexão com os protestos pós-eleitorais que ocorreram desde outubro passado e resultaram em mais de 350 mortes.
Após um interrogatório de nove horas, Mondlane foi libertado, mas permanece sob Termo de Identidade e Residência (TIR), o que restringe seus movimentos, impedindo mudanças de endereço ou viagens internacionais sem comunicação prévia às autoridades.
Ao sair da PGR, o político demonstrou tranquilidade e afirmou que ainda desconhece formalmente as acusações contra ele.
“Passei todas essas horas aqui, mas ainda não me disseram exatamente de que crime estou sendo acusado”, declarou Mondlane. “Fizeram uma série de perguntas apenas para justificar a longa duração do interrogatório.”
Segundo ele, os questionamentos giraram em torno dos protestos, suposta incitação à violência e possíveis danos econômicos provocados pelas manifestações.
Apesar de sua libertação, Mondlane deverá seguir as restrições impostas pela Justiça.
“Agora sou obrigado a comunicar ao Ministério Público qualquer viagem e não posso permanecer fora da minha residência por mais de cinco dias sem aviso prévio”, explicou.
A violação dessas regras pode resultar em penas mais rígidas, como a prisão preventiva.
Desde seu retorno a Moçambique, em 9 de janeiro, após três meses no exterior, Mondlane evitou sua residência habitual por questões de segurança. Ele passou um período em um hotel na capital antes de se mudar para um local privado. Agora, precisará informar às autoridades seu endereço atual.
Embora diga não ter planos de deixar o país, Mondlane reforçou que pretende continuar sua luta política ao lado de seus apoiadores.
“Voltei a Moçambique porque há um genocídio político em curso. Meus colaboradores estão sendo assassinados e jogados em valas comuns. Não posso abandoná-los”, afirmou.
O opositor citou casos recentes de assassinatos de jovens apoiadores na província de Inhambane, que atribui a agentes do governo. Ele já encaminhou à PGR uma lista com 398 nomes de supostas vítimas de violência estatal, mas ainda aguarda um posicionamento das autoridades.
Durante seu interrogatório, dezenas de apoiadores permaneceram do lado de fora da PGR entoando palavras de ordem, como “anamalala” – termo em macua que significa “acabou”. A polícia tentou dispersar o grupo, mas sem sucesso.