
O Gabinete de Informação Financeira de Moçambique (GIFiM) analisou mais de três mil comunicações de Operações Financeiras Suspeitas (OFS) em 2024, segundo o diretor da instituição, Aurélio Matavele Júnior, citado pelo jornal Domingo na edição de 9 de março. As comunicações foram submetidas por entidades como a Procuradoria-Geral da República (PGR), bancos comerciais, seguradoras, empresas imobiliárias e concessionárias de viaturas.
Após uma triagem, cerca de 2.700 comunicações foram descartadas por não apresentarem risco significativo, enquanto aproximadamente 300 transações foram consideradas relevantes. Como resultado, foram elaborados Relatórios de Informação Financeira (RIF) e de Análise Estratégica (RAE).
O setor bancário liderou o envio de comunicações suspeitas, respondendo por 80% a 85% dos casos analisados. Outras áreas de risco incluem o setor imobiliário e o comércio de veículos, onde há forte potencial para o branqueamento de capitais. Segundo o GIFiM, a compra de imóveis e automóveis em dinheiro continua sendo um dos principais métodos para inserir fundos ilícitos no sistema financeiro.
A cidade de Maputo foi identificada como o principal centro de movimentações financeiras suspeitas, seguida pelas províncias de Nampula e Sofala. Apesar do aumento dos mecanismos de fiscalização, as autoridades ainda detectam tentativas de ocultação de fundos de origem duvidosa.
As entidades reguladoras e as forças de investigação trabalham em conjunto com a PGR para reforçar as estratégias de combate ao branqueamento de capitais e ao financiamento ilícito, visando maior transparência no sistema financeiro moçambicano.