
As organizações humanitárias e sociais que operam em Cabo Delgado já estão a sentir os efeitos dos cortes no financiamento externo dos Estados Unidos. A redução drástica dos recursos levou ao encerramento de vários programas essenciais na região.
O governo norte-americano anunciou recentemente um corte superior a 83% nos fundos da USAID, afetando diretamente Moçambique. Entre as iniciativas comprometidas está o projeto “Círculo de Diálogos”, da Associação de Jovens Promotores da Cidadania Participativa, que promovia a coesão social na província.
“Com essa suspensão, fomos forçados a interromper as atividades, pois sem financiamento é impossível continuar. Agora, mantemos apenas ações que não exigem grandes recursos”, explicou Sumaiya Ibraimo, assistente humanitária da associação.
População Vulnerável em Risco
O Fórum das Organizações Não-Governamentais de Cabo Delgado (FOCADE) alertou para os impactos devastadores da redução dos fundos, principalmente para as populações mais vulneráveis.
“Estamos num momento crítico, com Cabo Delgado, Nampula e Zambézia a sofrerem os efeitos de um ciclone. O corte da ajuda humanitária torna a situação ainda mais dramática”, afirmou Frederico João, presidente do FOCADE.
Além do impacto humanitário, a suspensão do financiamento ameaça postos de trabalho de profissionais da assistência social. “Muitos trabalhadores humanitários perderão seus empregos, agravando ainda mais a crise social”, destacou João.
Busca por Alternativas de Financiamento
Diante da redução do apoio dos EUA, organizações locais buscam novas fontes de financiamento. “Precisamos reduzir a dependência da ajuda americana e procurar suporte da União Europeia, UKAID e outras agências de desenvolvimento”, sugeriu o presidente do FOCADE.
Enquanto isso, a alocação de fundos da assistência humanitária também tem sido alvo de críticas. Abudo Gafuro, presidente da Associação Kwendeleya, apontou que muitos recursos são gastos em custos administrativos em vez de chegarem às populações necessitadas.
A ministra das Finanças de Moçambique alertou, durante um encontro com o embaixador dos EUA, que a suspensão dos fundos comprometerá o equilíbrio do orçamento nacional para 2025, aumentando a necessidade de encontrar soluções alternativas para garantir o apoio às comunidades afetadas.